terça-feira, 9 de novembro de 2010

Abastecimento de água de Itapira.

- TEMPOS SAUDOSOS -
Plínio Magalhães da Cunha


Abastecimento de água de Itapira
Desde o início do século passado, a cidade de Itapira – logicamente a parte urbana – já contava com água encanada, pois a rede distribuidora domiciliar, nos idos de 1919, provinha de dois reservatórios situados em pontos opostos, porém, ambos muito elevados. Esses reservatórios estavam localizados no Parque Municipal, e o outro na chácara do sr. João Batista Pauleti. (vide fotos)
No reservatório do Parque, a água acumulada para servir a população provinha de quatro mananciais distintos, a saber: o primeiro da fazenda Santa Adélia, que pertencia ao sr. Ernestino Cintra; o segundo pertencia à fazenda Mariópolis, de propriedade do sr. Bento Inácio de Alvarenga Cunha ( primeiro prefeito de Itapira em 1892); o terceiro manancial estava localizado na fazenda São Jerônimo, que pertencia ao sr. Francisco Cintra, e, finalmente, o quarto reservatório na fazenda do Salto.
Esses mananciais estavam em locais bem distantes da cidade, e, além disso, em meio de cafezais, cerrados ou matas, sem nenhuma proteção – a céu aberto – de sorte que, a contaminação era impossível de ser controlada.
Todas essas águas colhidas eram conduzidas por um leito de tijolos, também a céu aberto, para um reservatório maior situado na serra de Águas Claras, no local denominado dona Maria de Barros.
Esse reservatório central recebia diariamente cerca de 1.150.630 litros de água captada, que era transferida através de manilhas de 6 polegadas para o reservatório do Parque Municipal, onde era filtrada de maneira bem empírica, através de  ralos de arame, sem receber nenhum outro tipo de tratamento.
Em janeiro de 1922, foi feito a pedido das autoridades locais, uma análise geral da água de todos os reservatórios existentes em nosso município, cujos resultados não foram nada animadores.
Não vou citar o resultado completo da água de cada reservatório, Isto é, quanto à reação química, residual, acidez, etc, mas apenas o final do resultado de cada um deles. O da fazenda do Salto, “com grau de potabilidade suspeita, contendo excesso de matéria orgânica”; da fazenda São Jerônimo – “água potável, levemente mineralizada”; o de águas Claras – “água colhida de uma torneira da rede de distribuição domiciliar, feita através do Instituto de Higiene da Faculdade de Medicina de São Paulo, constatou-se a existência de “grande poluição com b. colli, organismos indicadores de contaminação com materiais fecais, em média de 4 a 5 mil bactérias por c.c e 100 b. colli também por c.c”.
A água do reservatório do Pauletti, provinha de dois mananciais, ambos situados a três quilômetros da cidade. Nasciam na fazenda do sr. José Adarico, com as denominações de Manancial da Mata e o outro, do Arrozal.
Esses dois mananciais foram adquiridos pela Câmara Municipal.
Só para se ter uma idéia, Itapira possuía no ano de 1919, uma população equivalente a 26.494 habitantes, de acordo com o recenseamento federal realizado em 1920, o que dá uma média de 44,2 habitantes por quilômetro quadrado (o nosso município tem um total de 598,7 quilômetros quadrados). Ora se a população aumentou sensivelmente, comparada com a do ano de 1919, podendo atingir agora 80.000 habitantes no recenseamento a ser realizado em 2010; se o Parque Industrial também experimentou um crescimento formidável, - não está na hora das autoridades constituídas pensarem seriamente na construção de uma represa maior e  melhor equipada a fim de poder atender às reais necessidades do município?

Foto - 1
Reservatório do Pauletti, situado na chácara do sr.João Batista Pauletti, a três quilômetros da cidade. Na foto acima o proprietário ladeado pelas filhas Bruna Pauletti Breda e Yolanda Pauletti Spécie.

Foto - 2 
Reservatório do Parque Municipal, construído em setembro de 1897, com a capacidade para 1 milhão de litros de água.

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